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| Ex-ministro diz ainda que com todos os problemas, Dilma é o melhor para o Brasil |
Por Brasil 247 com
Redação/Publicado na Revista Carta Capital
O ex-ministro e atual secretário de Saúde do Ceará, Ciro
Gomes, escreveu um artigo para a Revista Carta Capital, descrevendo o que deve
ter levado a união entre o governador Eduardo Campos e a ex-senadora Marina
Silva, no PSB. No seu velho estilo, disparou: “Em comum aos dois uma ambição
pessoal sem limites. E uma pouco disfarçável vaidade”. Confira a integra do
artigo de Ciro:
Causou surpresa ao meio político e à mídia o anúncio do
acordo entre Eduardo Campos, legatário do PSB, e Marina Silva, líder da assim
chamada Rede Sustentabilidade, aquele partido que viria para revogar "tudo
que está aí" e fundar uma nova forma de fazer política. Fui colega dos
dois no ministério do primeiro governo Lula. Conheço razoavelmente ambos. Vou
dar um palpite que o futuro definirá se válido ou não.
O cimento dessa abrupta reunião é um dos mais sólidos que a
natureza humana pode oferecer: o ódio. Neste caso crescente e que ambos
alimentam pela coalizão liderada pela presidenta Dilma Rousseff.
O choque de Marina Silva com o PT tem a ver com uma porção de
coisas, mas fundamentalmente tem a ver com a disputa entre ela e Dilma nos
tempos do ministério. Uma encarregada de Energia e Minas, a outra do Meio
Ambiente. Só para que se tenha uma ideia, Marina queria que o Brasil assinasse
uma convenção internacional declarando não renovável a energia hidráulica,
pondo sob suspeita de insustentabilidade praticamente toda a base produtiva
brasileira.
Lula arbitrou praticamente todos os conflitos contra a
posição de Marina. E ela foi embora. Agora é candidata a presidenta da República. No caso de Eduardo foi um pouco diferente: Lula encheu seu
apadrinhado de atenções e Dilma não manteve o mesmo nível de privilégios. E
olha que Eduardo Campos vendeu minha cabeça nas eleições de 2010 para atender à
pretensão de Lula de fazer uma noviça candidata e presidenta. Em comum aos dois uma ambição pessoal sem limites. E uma
pouco disfarçável vaidade.
Juntemos então umas coisas com outras e teremos o fato mais
interessante para a sucessão presidencial e para o Brasil. O tradicional polo
conservador reunido ao redor de PSDB-DEM-PPS tende a jogar um papel cada vez
mais secundário no processo nacional. Hoje ocuparia o terceiro lugar nas
eleições. Bom para o Brasil. Terão de qualificar mais suas propostas, terão de
trabalhar mais, valorizar mais os eleitores, não poderão mais se bastar no
moralismo de goela e na negação das contradições (que não são poucas) da
coalizão PT-PMDB. Bom para o Brasil.
Do lado de Dilma Rousseff, recomenda-se muita humildade,
muito cuidado, muita disposição de consertar a montanha de erros que se
assiste, a partir de uma equipe fraca, salvo as exceções de praxe. Mas, acima
de tudo, a presidenta precisa ocupar o imenso vácuo de ideias que hoje assola o
País. Nossa economia vai mal. É aí que mora o perigo real representado por uma
força que estava conosco na fundação do projeto e que agora vai para a
oposição. Esta não pode ser enfrentada com a ideia simplória e despolitizada da
"volta ao passado". Esta tem o potencial de trazer de volta à
participação os intelectuais, artistas, estudantes desencantados com o
pragmatismo petista-peemedebista. Bom para o Brasil.
Não sou um neutro observador da cena nacional. Tenho lado.
Estou convencido de que, com todos os problemas, ainda é a presidenta Dilma a
melhor solução para o momento brasileiro. Mas ando muito desagradado de ver
certas coisas se repetirem sem resposta, ou, pior, de ter de defender soluções
miúdas para grandes problemas. Ou de sonhar com um projeto de desenvolvimento
completo que mobilizaria nosso povo, nos vacinando de projetos pessoais,
alianças de ocasião, retórica véspera de decepções.
Espero que essa aliança que a todos nos surpreendeu preste
esse grande serviço ao País. Que o governo abra o olho.
A esta altura o leitor atento deve se perguntar se essa
aliança tem esse poder todo. Creio que sim, pois na verdade o rei esta nu no
Brasil também. Está todo mundo cheio das contradições atuais do poder
brasileiro, mas ninguém quer de volta o neoliberalismo macunaímico da turma do
Fernando Henrique. Assim...
Tudo isso só vale se uma explosiva contradição se resolver
nos intestinos da aliança PSB-Rede. E não é o que a petezada explora na
internet ao denunciar o fato de Jorge Bornhausen e Ronaldo Caiado estarem nessa
também, como se isso fosse pior do que ter do seu lado Renan Calheiros, Eduardo
Cunha e Cândido Vacarezza.
A contradição, aposto, está no fato de Eduardo provavelmente
ter prometido que a candidata do partido seria Marina, pedindo a esta que
aceitasse uma transição retórica para acalmar meus velhos e (quase todos) queridos
companheiros do PSB. Vai avaliar primeiro se a adesão em massa da mídia
conservadora o alavanca como candidato e, se sim, enganará a nova companheira.
Se não, será ela a candidata. E aí vale meu raciocínio ao quadrado.

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